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2 de julho de 2007

um porto em montpellier

Matias, Christel, David e Sonia. Pessoas numa casa. Uma família.
























Un port est un séjour charmant pour une âme fatiguée des luttes de la vie. L’ampleur du ciel, l’architecture mobile des nuages, les colorations changeantes de la mer, le scintillement des phares, sont un prisme merveilleusement propre à s’amuser les yeux sans jamais les lasser. Les formes élancées des navires, au gréement compliqué, auxquels la houle imprime des oscillations harmonieuses, servent à entretenir dans l’âme le goût du rythme et de la beauté. Et puis, surtout, il ya une sorte de plaisir mystérieux et aristocratique pour celui qui n’a plus ni curiosité ni ambition, à contempler, couché dans le belvédère ou accoudé sur le môle, tous ces mouvements de ceux qui partent et de ceux qui reviennent, de ceux qui ont encore la force de vouloir, le désir de voyager ou de s’enrichir.

Le Port
Le Spleen de Paris, XLI
Charles Baudelaire

6 de junho de 2007

é tão bom... uma amizade assim...



Um mimo muito mimado de duas lindas meninas! Para o pano ;)


Vale a pena ver
castelos no mar alto
Vale a pena dar o salto
pra dentro do barco
rumo à maravilha
e pé ante pé desembarcar na ilha
Pássaros com cores que nunca vi
que o arco-íris queria para si
eu vi
o que quis ver afinal


É tão bom uma amizade assim
Ai, faz tão bem saber com quem contar
Eu quero ir ver quem me quer assim
É bom pra mim e é bom pra quem tão bem me quer


Vale a pena ver
o mundo aqui do alto
vale a pena dar o salto
Daqui vê-se tudo
às mil maravilhas
na terra as montanhas e o mar as ilhas
Queremos ir à lua mas voltar
convém dar a curva
sem se derrapar
na avenida do luar


Sérgio Godinho

5 de junho de 2007

sons às rodelas (# 12)



















Rinôçérôse
- Schizophonia (V2 Records, 2005)

"Pour les étrangers, on fait partie de la french-touch."
Jean-Philippe Freu, aqui.

1 de junho de 2007

kissing the sun






















28 de maio de 2007

uma lua e duas estrelas




















Esta fotografia, tirei-a da janela do meu quarto. Só consegui apanhar uma lua e duas estrelas. Mas não se deixem enganar, havia muitas mais! Estrelas, claro. Consegui contar umas dez! Mas já ouvi dizer que são mais de vinte! Não sei se acredito... Lua dizem que só há uma. Mas posso desenhar mais…
O meu pai diz que nos desenhos tudo pode acontecer. E dá o exemplo do Super-Homem, que voa mas não existe. Mas ainda no outro dia o vi na televisão! De carne e osso. Digo que sim ao meu pai para ele não ficar triste mas acho que devia arranjar outro exemplo. E a lua é a mesma coisa: basta empurrar o meu olho um bocadinho com o dedo e vejo logo duas. Acho que estão sempre lá, mas uma escondida atrás da outra a descansar. E vão trocando. Mas muito depressa para ninguém ver! Sei que isto é verdade porque me disse o meu amigo João. E ele sabe tudo: o pai dele é presidente da junta. Não sei o que é mas deve ser importante. O meu pai diz que ele é um borra-botas. Também não sei o que quer dizer, mas se calhar passa a vida a pisar cocó.
No outro dia também pisei cocó. A minha mãe disse que dava sorte. Isto é como o meu pai diz: não há sorte sem sacrifício. Depois cheirava mal no carro. Mas já estávamos a vir embora. E nesse dia deitei-me tarde como os adultos! Eram vinte e três e vinte e três e ainda não tinha adormecido! Acho que adormeci pouco depois. Mas antes ainda tirei esta fotografia.

cuchulainn, o irlandês
























Há muito, muito tempo, numa altura em que a Irlanda estava dividida em cinco províncias, cada uma com o seu monarca, o governo das terras era atribuído ao membro do casal real que tivesse mais bens próprios. Medb, a rainha de Connacht e uma das mais poderosas rainhas da ilha, ao perceber que o seu marido, Ailill, era mais rico pela diferença mínima de um touro, decide conseguir um, custe o que custar. Mas não era um touro qualquer. Diziam que um igual só havia no Ulster, a província do Norte.

Ao perceber que o proprietário do touro não estava disposto a cedê-lo por contrapartida alguma, Medb decidiu reunir os exércitos das quatro províncias e invadir o Ulster para ter o touro pela força. Indo contra a profecia dos druidas, que viam o seu exército tingido de sangue pela mão de um único homem, decide avançar. Afinal, eram quatro exércitos contra um e seria impossível um só homem derrotar os melhores guerreiros da ilha. Ao chegar à fronteira do Ulster, avistaram um adolescente que na sua charrua contornou os exércitos pela esquerda. No código guerreiro irlandês isto significa que esta criança estava a declarar guerra aos exércitos da Rainha Medb.

Medb continuava a não ouvir as profecias. A partir daí, todas as noites mais de 100 homens apareciam mortos e o exército não avançava nem um palmo. Quem era esta criança? Pois, não era um adolescente qualquer, era Cuchulainn. Diziam que quando se enervava, o quadril e os pés viravam-se para trás, as tripas ficavam à vista, um olho entrava e o outro saía das órbitas e o corpo inchava de tal forma que duplicava de tamanho. Como demonstração de boa vontade, Cuchulainn propôs à Rainha Medb que todas as manhãs enviasse um único soldado para o combater. Enquanto durasse o combate, tinha autorização para procurar o touro. Como é óbvio rapidamente os soldados eram mortos e o exército não se movia. Mas no dia em que, usando os poderes persuasivos e turvadores do álcool, Medb convence Ferdiad, irmão de Cuchulainn, a enfrentá-lo, tudo muda...

Esta é uma parte do conto "Táin Bó Cúailnge", da mitologia irlandesa. "A melhor história do mundo!" dizem os irlandeses. Não sei se é mesmo a melhor do mundo, mas não é nada má... Está neste momento em cena na cave do restaurante/galeria/espaço cultural Le Baloard, em Montpellier, representado por Julien Masdoua, da Compagnie du Capitaine, que conta a história, e por Robert Tousseul, que a canta. E eu fui ver.

Acabou com esta música, nada mitológica:



E a imagem lá de cima é Cuchulainn, representado por John Duncan.

27 de maio de 2007

sons às rodelas (# 11)



















The Cure - Disintegration (Elektra, 1989)

"Most of the time I'm a professional idiot. I really don't care about what other people think, which can be a bad thing."
Robert Smith, em entrevista à revista The Hit em 1985.

25 de maio de 2007

20 de maio de 2007

rosa negra*




















*figurado: funesta; fúnebre; tétrica

17 de maio de 2007

sons às rodelas (# 10)


















Suzanne Vega - Solitude Standing (A&M, 1987)

"My idea of a perfect folk song is something in a minor key with a tragic ending - preferably suicide or madness. Something with no chorus. Something with sex and violence."
Suzanne Vega, aqui.

13 de maio de 2007

awake







Awake.
Shake dreams from your hair, my pretty child, my sweet one
choose the day, and choose the sign of your day,
the day's divinity, first thing you see.

A vast radiant beach and cooled jeweled moon
couples naked race down by it's quiet side
and we laugh like soft, mad children,
smug in the wooly cotton brains of infancy.
The music and voices are all around us.

Choose, they croon, the Ancient Ones, the time has come again.
Choose now, they croon, beneath the moon, beside an ancient lake.

Enter again the sweet forest.
Enter the hot dream, come with us.
Everything is broken up and dances.

Indians scattered on dawn's highway bleeding.
Ghosts crowd the young child’s fragile eggshell mind.

We have assembled inside this ancient and insane theater
to propagate our lust for life and flee the swarming wisdom of the streets.

The barns have stormed, the windows kept
and only one of all the rest
to dance and save us from the divine mockery of words.
Music inflames temperament.

Oh great creator of being,
grant us one more hour
to perform our art and perfect our lives.

We need great golden copulations.

When the true king's murderers are allowed to roam free
a thousand magicians arise in the land.
Where are the feasts we were promised?

Thank you oh lord for the white blind light.
Thank you oh lord for the white blind light.
A city rises from the sea
I had a splitting headache
from which the future is made.

The Ghost Song, Jim Morrison/The Doors

12 de maio de 2007

o labirinto do fausto

- Olha quem é ele!
- Olá Manel.
- Tudo bem? Não tens boa cara...
- Não ando nada bem! Doenças, doenças, não sei o que se passa… Ainda onte fui ó médico e ele lá disse o que eu tinha mas não apartei nada… Fiquei a navegar
- A navegar ou a ver navios?
- Isso, isso…
- Mas ó pá, também não estamos a caminhar para mais novos!
- Olha, essa é que é essa… E tu, como vai isso?
- Nunca pior... Desde a operação à ciática que me sinto muito melhor… Imagina tu que no último fim-de-semana até fui pescar! Já nem me alembrava da última vez em que tinha pegado na minha cana.
- Muito me contas! Para onde fostes?
- Ali para o Rio Maior. Desde as obras aquilo ficou bonito. Limparam o rio, está tudo muito verde… Não fosse a minha idade até arriscava mergulhar. Disso tenho saudades…
- Oh! Saudades tenho eu daquelas festas que fazíamos no antigamente, quando éramos novos… Se me apanhava agora cinquenta anos mais novo…
- Nem me fales de festas! Antes d’ontem fui à carmesse do teu lar…
- Pois, eu estava muito mal, não pude ir…
- Foi no salão paroquial. Sabes, para engariar… para juntar dinheiro para irmos ver as amendoeiras em flor. E como de costume houve bailarico. E não é que a Alzira, dos dali de baixo, do Zabumba, veio toda lampeira puxar-me para dançar…
- A Alzira tem bom corpo
- Isso era em antes! Agora, bom corpo, só se for para cavar batata, home! Mas, aqui entre nós, aquilo já foi do melhor. Agora… Está tudo velho…
- Como nós!
- Mas para as mulheres em quatro tempos tudo muda… Sinceramente, a Alzira está acabada... Bom, mas é melhor calar-me porque a terra é pequena e as paredes têm ouvidos.
- Olha, nisso vou dar-te razão. É melhor ficarmos por aqui…
- Sabes, ela até tentou dar-me um beijo e
- Ó home, já te disse que não quero saber! A Alzira quando enviuvou desvairou.
- Pronto, não se fala mais nisso. Vamos então ficar por aqui…
- É… Ir por esses caminhos só nos mete em trabalhos…
- Olha, ao menos, no fundo, diverti-me …
- Olha, e é isso que se quer… Que isto da vida de repente já não é…
- Isso é que é uma grande verdade! Às vezes queria voltar ao tempo… sei lá… em que tocávamos no rancho…
- Ó home, isso é que eram tempos! Com a minha viola… E a Albertina a cantar…
- A Albertina-cana-rachada?
- Sim… Recordo-me como se fosse hoje… Eu era muito verde nessa altura… Se soubesse o que sei agora…
- É que nem tocar conseguíamos… Estávamos ali a navegar
- A navegar ou a ver navios?
- Isso, isso…
- Olha, sabes o que te digo?
- …
- Não te digo nada, é o que eu te digo…

9 de maio de 2007

sons às rodelas (# 9)



















Peaches - The Teaches of Peaches (Kitty-Yo, 2000)

"Sex is one of the five basic needs in life and one of the only two that involve another person. You need to eat, you need to sleep, you need shelter, you need to belong, and you need to have sex. Those are actually the five basic needs."
Merrill Nisker, aqui.

8 de maio de 2007

amor dos fogos
























.... vêm sôfregos os peixes da madrugada
beber o marítimo veneno das grandes travessias
trazem nas escamas a primavera sombria do mar
largam minúsculos cristais de areia junto à boca
e partem quando desperto no tecido húmido dos sonhos
.... vem deitar-te comigo no feno dos romances
para que a manhã não solte o ciúme
e de novo nos obrigue a fugir....
.... vem estender-te onde os dedos são aves sobre o peito
esquece os maus momentos a falta de notícias a preguiça
ergue-te e regressa
para olharmos a geada dos astros deslizar nas vidraças
e os pássaros debicarem o outono no sumo das amoras....
.... iremos pelos campos
à procura do silente lume das cassiopeias...

Amor dos Fogos, Al Berto

les gens qui vivent à figuerolles ne sont pas là par hazard #2


























Figuerolles aqui...

30 de abril de 2007

sons às rodelas (# 8)



















The Clash - London Calling (Epic, 1979)

"I think people ought to know that we're anti-fascist, anti-violence, and anti-racist. We're against ignorance."
Joe Strummer, aqui.

26 de abril de 2007

21 de abril de 2007

variações


















I Heard It Through the Grapevine
foi escrita em 1967 por Norman Whitfield e Barrett Strong da Motown, uma editora que desempenhou um papel importante na integração da música "racial" na sociedade americana. A música foi gravada pela primeira vez com Smokey Robinson & the Miracles como vocalistas, mas essa versão, a original, foi vetada por Berry Gordy, director da Motown. A segunda versão gravada pelos The Isley Brothers também não passou o crivo da direcção. Seguiu-se Marvin Gaye que trabalhou a música durante dois meses antes de a gravar com The Andantes e The Funk Brothers sem melhor sorte. A quarta tentativa, bem sucedida finalmente, foi feita por Gladys Knight & the Pips. Esta acabou por ser a primeira versão editada e atingiu o segundo lugar nas tabelas americanas no ano de 1967. Mas Marvin Gaye não desistiu: gravou uma nova versão que lhe garantiu o primeiro lugar nas tabelas em 1968. Desde então tem sido refeita dezenas de vezes por diversos músicos como Ben Harper, Joe Cocker, The Cowntdown Singers, Creedence Clearwater Revival, Roger, Barbara Dickson, Kaiser Chiefs, Ella Fitzgerald, The Slits entre muitos outros.


Marvin Gaye


The Slits


Kaiser Chiefs


Roger

Fonte: wikipedia (como sempre... ou quase...)
Foto: Gladys Knight & the Pips

sons às rodelas (VII)



















Depeche Mode - Violator (Mute Records, 1990)

"I’m the greatest thing since sliced bread on one hand and the lowest creature from the black lagoon that you can possibly imagine on the other side."
David Gahan, aqui.

15 de abril de 2007

calçada



















É inda quente o fim do dia...
Meu coração tem tédio e nada...
Da vida sobe maresia...
Uma luz azulada e fria
Pára nas pedras da calçada...
Uma luz azulada e vaga
Um resto anónimo do dia...
Meu coração não se embriaga
Vejo como que em si o dia...
É uma luz azulada e fria.

Fernando Pessoa