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29 de junho de 2007

roupa nova...

... a prenunciar um novo ciclo mais luminoso.


PS: Apesar de ser óbvio, o seu a seu dono: a pintura lá de cima é uma "Obra de Joan Miró".

6 de maio de 2007

perder um dia



Apaguei sem querer todo o cartão, perdi todas as imagens que documentavam o meu dia 5 de Maio... Apesar de tudo, não foi tão grave como perder 4 anos de memórias.
Mas das consequências, fico com pena de não poder guardar a primeira ida da Mariana ao Penedo da Saudade, algumas imagens da Feira do Livro e do CAV e de já não me poder juntar ao grupo do Flickr. Fica o Alex como representante dos meus contactos. Ele não é pro por acaso!
Quanto à lição a tirar.... só se for "não faças nada ao acordar quando o sono deixou de ser teu amigo há alguns anos".

(imagem: sleeper, de Paula Rego)

7 de abril de 2007

para dias menos simples



Quando os regressos forem a excepção.
Quando os regressos não trouxerem uma nova partida.
Então teremos tempo para inventar novos programas.
Como aprender o nascimento de um mural,
entrar nos pensamentos do seu autor e depois ir vê-lo com olhos de ver.

E perceber as palavras que Picasso usou na altura: "A pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra contra a brutalidade e a ignorância".

27 de março de 2007

memória


















La desintegración de la persistencia de la memoria, Salvador Dalí, 1954


One had a lovely face,
And two or three had charm,
But charm and face were in vain
Because the mountain grass
Cannot but keep the form
Where the mountain hare has lain.

Memory, WB Yeats

12 de março de 2007

ana

A Ana ensinou-me que o Edward Hopper é considerado um dos precursores da pop art, por causa do grafismo presente em alguns dos seus quadros,















e enquanto me dizia que nas suas obras parecia ser sempre domingo,


















lembrei-me do poema destinado a haver domingo, da Natália Correia


Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.

Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.

Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.

Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre

Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.


E assim domingo rima com pintura e com poesia.
E hoje rima com Ana :)

3 de março de 2007

carta para amanhã















Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível,
que ele seja aquele que eu desejo para vós.
Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade
que advém de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto,
nem seja sequer isto o que vos interesse para viver.
Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas
uma fiel dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça, para que os liquidasse
«com suma piedade e sem efusão de sangue».
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria,
uma esperança,
ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados
tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de uma classe, expiaram todos os erros que não tinham cometido
ou não tinham consciência de haver cometido.
Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor.
Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis) de ferro
e de suor e sangue
e algum sémen a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo,
que nada nem ninguém vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo
e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo
ou sofre ou morre para que um só de vós resista
um pouco mais à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente, sem culpas a ninguém,
sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero. Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia,
um dia - mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão.
Confesso que muitas vezes,
pensando no horror de tantos séculos de opressão e crueldade, hesito por momentos e uma amargura me submerge inconsolável. Serão ou não em vão?
Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui não só a vida,
mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos,
pode dar-lhes aquele instante que não viveram,
aquele objecto que não fruíram,
aquele gesto de amor que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa que não é nossa,
que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra,
do amor que outros não amaram porque lho roubaram.

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya

18 de fevereiro de 2007

you are welcome to elsinore
























Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

Mário Cesariny
(Pintura: Pranto por Tuparamaru - 1978)

yin yang




















Duas peças de um mesmo puzzle são forças que se complementam e equilibram, permitindo movimento e mudança. Essas mutações que criam a diversidade essencial à sanidade. Se uma força é fria, a outra é quente e se uma peça é escura, a outra é luminosa. Se um puzzle tiver 1000 peças, 500 são o dia e 500 são a noite. E se tiver 1001?