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8 de março de 2011

primeiras vezes

quebra orelha
citac na mata do botânico

Há uma loja nova na cidade, que nasceu pela mão do Afonso: a Quebra Orelha. Ainda não a conheço mas já sou proprietária dos primeiros objectos vindos de lá. Obrigada, Aleka! Na foto, ficou a faltar o papel de embrulho, criado pela Joani.
[os rebuçados -deliciosos!- são da Papabubble]

Integrado na XIII Semana Cultural, o CITAC encenou uma peça para ser apresentada na Mata do Botânico. E foi assim que finalmente conheci um dos mais belos segredos de Coimbra.

12 de fevereiro de 2011

cientista... ma non troppo!



Nunca poderei ser muito boa no que faço porque gosto demasiado de fazer muitas coisas!

Em Setembro voltei a fazer de actriz. Desta vez, com duas novidades: não despi o papel de cientista e aprendi a manipular marionetas e a brincar com as sombras. O mote foi dado pelo projecto europeu 'Noite dos Investigadores', no âmbito da proposta portuguesa 'Cientistas ao Palco'. Uma experiência nova, tão divertida como as anteriores. O melhor é sempre a oportunidade de conhecer pessoas novas.

Com a preciosa ajuda da Clara e do Rúben, o talento e imensa simpatia Filipa guiou-nos à construção de um espectáculo que me (nos) deu muito gosto interpretar. Aqui fica o seu nascimento, pelas palavras da Filipa:

. Agosto: os primeiros ensaios (e eu pela Indonésia :)
. Setembro: a véspera e os ensaios mais esperados
. Setembro: o grande dia!
. Setembro: finalmente as apresentações ao público
. Setembro: felizes com o resultado, o balanço da experiência e a amizade

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No próximo sábado a Filipa volta a juntar os cientistas que participaram em 2009 e vão apresentar o seu "A origem das quase espécies" na exposição (ver em actividades paralelas).

25 de maio de 2010

alkantara festival'10



Ontem, a dança que nos chegou das ruas de Niterói. Amanhã, as vozes do minaretes do Cairo. Que bom que é assistir a espectáculos ao vivo.

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A programação completa está aqui.

29 de março de 2009

ah, foi bom!



Foi bom demais!!
Agora acabou... (Dª Fátima, seja carinhosa!)
Sobrevém a nostalgia, dos companheiros e dos momentos. Talvez possamos repetir.

(e não fiques triste, priminha, eu não vou resistir a meter-me noutra aventura destas :)



22 de março de 2009

cenografia




Os últimos dias, os grandes preparativos.
Decoramos os textos em casa enquanto montamos o cenário no nosso palco, o mesmo espaço onde passámos muitas horas nestes primeiros meses de 2009 a saltar, correr, rebolar, rastejar, dançar. A encher de gritos e de sussurros.

A três dias do fim do atelier, estou inevitavelmente a começar a sentir saudades...

Mas por enquanto, o tempo é para as últimas montagens, provas de roupa e ensaios, ensaios, ensaios. Luz, luzes, diversão!



15 de março de 2009

em ensaios



Porque já se aproxima o dia em que vamos estrear a nossa Maratona!

"Exercício final do Atelier de Teatro “Esta noite não estou para ninguém”, a partir do texto Os Cavalos Também Se Abatem, de Horace McCoy.

Partindo do universo da obra Os Cavalos Também Se Abatem, construiu-se um exercício “onde será necessário pôr à prova a habilidade e a resistência, na maior maratona de dança do mundo” (Rocky).

No mundo actual, somos cada vez mais confrontados com o sofrimento dos outros, perante o qual assumimos quase sempre a posição de observadores passivos – quer por causa do fascínio que nos suscitam os programas de televisão que exploram a intimidade dos participantes, expondo-os perante o público em troca de algum dinheiro e dos tão desejados 15 minutos de fama, quer no caso dos acidentes nas auto-estradas, em que abrandamos para ver se alguém morreu, se há feridos. São situações que despertam reacções complexas, controversas, revelando o melhor e o pior do ser humano – o prazer em devassar a intimidade alheia, o prazer em sentir compaixão pelo nosso semelhante.

Glória e Robert são os dois personagens principais nesta intriga. Entram num concurso de dança com o único objectivo de conquistarem uma vida melhor (mesmo que tal aconteça apenas no tempo de duração do concurso, pois têm comida e dormida de graça). No entanto, ambos acalentam um sonho. Glória quer ser actriz em Hollywood e Robert quer ser realizador. Nem sempre a hierarquia dos sonhos que temos para a nossa vida determina o curso das decisões que tomamos…"

(texto reproduzido com a autorização do autor)

7 de janeiro de 2009

esta noite não estou para ninguém


(parlez-moi d'amour; H. e eu)

Sete dias em 2009 e continuo sem agenda de bolso nem calendário de cozinha... Vou enganando os espaços mantendo a viagem a Portugal e as ilustrações da Maria Keil! E o novo poemário aguarda embalado que acabe de percorrer Novembro e Dezembro de 2008.

O novo ano começou entre gente amiga, numa viagem colectiva a 1980. Um ambiente colorido, com mais ou menos acessórios, e para todos os gostos (há fotografias no facebook para o comprovar!).
Continua com jogos teatrais, num reencontro com o Victor Hugo. Nas novas instalações do NEC, de Janeiro a Março, (quase) todas as terças e quintas-feiras não estarei para ninguém. Estarei a brincar :D (as apresentações - três! - estão previstas para o fim-de-semana de 20 a 22 de Março)

17 de outubro de 2008

escrita inteligente




A minha menina anda em ensaios para o espectáculo na Casa da Música. Hoje acaba às 20h30 e nós temos bilhetes para as 21h30 (finalmente vou ver o Cabaret Molotov!). Vai ser apertado: apanhá-la na ribeira de Gaia e seguir para a baixa do Porto, com direito a jantar sandes e leite pelo caminho.

A seguir ao almoço recebo um sms dela:
Logo quando me fores buscar leva-me um abraço s.f.f. Beijinhos

- Sim, filhinha, levo-te um abraço e mais, muitos. E já agora, levo-te também um casaco! :D

28 de maio de 2007

cuchulainn, o irlandês
























Há muito, muito tempo, numa altura em que a Irlanda estava dividida em cinco províncias, cada uma com o seu monarca, o governo das terras era atribuído ao membro do casal real que tivesse mais bens próprios. Medb, a rainha de Connacht e uma das mais poderosas rainhas da ilha, ao perceber que o seu marido, Ailill, era mais rico pela diferença mínima de um touro, decide conseguir um, custe o que custar. Mas não era um touro qualquer. Diziam que um igual só havia no Ulster, a província do Norte.

Ao perceber que o proprietário do touro não estava disposto a cedê-lo por contrapartida alguma, Medb decidiu reunir os exércitos das quatro províncias e invadir o Ulster para ter o touro pela força. Indo contra a profecia dos druidas, que viam o seu exército tingido de sangue pela mão de um único homem, decide avançar. Afinal, eram quatro exércitos contra um e seria impossível um só homem derrotar os melhores guerreiros da ilha. Ao chegar à fronteira do Ulster, avistaram um adolescente que na sua charrua contornou os exércitos pela esquerda. No código guerreiro irlandês isto significa que esta criança estava a declarar guerra aos exércitos da Rainha Medb.

Medb continuava a não ouvir as profecias. A partir daí, todas as noites mais de 100 homens apareciam mortos e o exército não avançava nem um palmo. Quem era esta criança? Pois, não era um adolescente qualquer, era Cuchulainn. Diziam que quando se enervava, o quadril e os pés viravam-se para trás, as tripas ficavam à vista, um olho entrava e o outro saía das órbitas e o corpo inchava de tal forma que duplicava de tamanho. Como demonstração de boa vontade, Cuchulainn propôs à Rainha Medb que todas as manhãs enviasse um único soldado para o combater. Enquanto durasse o combate, tinha autorização para procurar o touro. Como é óbvio rapidamente os soldados eram mortos e o exército não se movia. Mas no dia em que, usando os poderes persuasivos e turvadores do álcool, Medb convence Ferdiad, irmão de Cuchulainn, a enfrentá-lo, tudo muda...

Esta é uma parte do conto "Táin Bó Cúailnge", da mitologia irlandesa. "A melhor história do mundo!" dizem os irlandeses. Não sei se é mesmo a melhor do mundo, mas não é nada má... Está neste momento em cena na cave do restaurante/galeria/espaço cultural Le Baloard, em Montpellier, representado por Julien Masdoua, da Compagnie du Capitaine, que conta a história, e por Robert Tousseul, que a canta. E eu fui ver.

Acabou com esta música, nada mitológica:



E a imagem lá de cima é Cuchulainn, representado por John Duncan.

22 de maio de 2007

inúteis como os mortos*



















Por existir me cegam,
Me estrangulam,
Me julgam,
Me condenam,
Me esfacelam.
Por me sonhar em vez de ser me insultam,
Por não dormir me culpam
E me dão o silêncio por carrasco
E a solidão por cela.
Por lhes falar, proíbem-me as palavras,
Por lhes doer, censuram-me o desejo
E marcam-me o destino a vergastadas
Pois não ousam morder o meu corpo de beijos.

Passo a passo os encontro no caminho
Que os deuses e o sangue me traçaram.
E negando-me, bebem do meu vinho
E roubam um lugar na minha cama
E comem deste pão que as minhas mãos infames amassaram.
Com angústia e com lama.

Passo a passo os encontro no caminho.
Mas eu sigo sozinho!
Dono dos ventos que me arremessaram,
Senhor dos tempos que me destruíram,
Herói dos homens que me derrubaram,
Macho das coisas que me possuíram.

Andando entre eles invento as passadas
Que hão-de em triunfo conduzir-me à morte
E as horas que sei que me estão contadas,
Deslumbram-me e correm, sem que isso me importe.

Sou eu que me chamo nas vozes que oiço,
Sou eu quem se ri nos dentes que ranjo,
Sou eu quem me corto a mim mesmo o pescoço,
Sou eu que sou doido, sou eu que sou anjo.

Sou eu que passeio as correntes e as asas
Por sobre as cidades que vou destruindo,
Sou eu o incêndio que lhes devora as casas,
O ladrão que entra quando estão dormindo.

Sou eu quem de noite lhes perturba o sono,
Lhes frustra o amor, lhes aperta a garganta.
Sou eu que os enforco numa corda de sonho
Que apodrece e cai mal o sol se levanta.

Sou eu quem de dia lhes cicia o tédio,
O tédio que pensam, que bebem e comem,
O tédio de serem sem nenhum remédio
A perfeita imagem do que for um homem.

Sou eu que partindo aos poucos lhes deixo
Uma herança de pragas e animais nocivos.
Sou eu que morrendo lhes segredo o horror
de serem inúteis e ficarem vivos.

Queixa e imprecações dum condenado à morte, Ary dos Santos

*Inúteis como os mortos é o título de uma peça de teatro escrita por Cunha de Leiradella em 1965.

15 de abril de 2007

tchékhov















A 40ª produção da Escola da Noite, Tchékhov e a arte menor, devia ter acabado ontem, mas vai ainda ter três sessões extras, dias 19, 20 e 21 de Abril.

Compreende-se porquê.

Seis peças de Tchékhov em um acto, repartidas por três horas de espectáculo. Um excelente trabalho de actores. Duro, bem conseguido. Com uma encenação cénica que permite uma maior proximidade com a história, tornando-nos inclusivé participantes.

Gostei. E é sempre refrescante ver espectáculos ao vivo.

(obrigada, Meli ;)

3 de abril de 2007

literatura gratuita

"OBERON - Dai o remédio, então; tendes os meios. Por que há de contrariar, sempre, Titânia seu Oberon? Não peço muito, apenas uma criança perdida, para dela fazer meu pajenzinho.

TITÂNIA - Tal cuidado tirai do coração. Nem todo o reino das fadas me comprara este menino. Ao meu culto sua mãe era votada, muitas e muitas vezes, na atmosfera perfumada das Índias, me aprazia ouvi-la discretear, tê-la ao meu lado nas amarelas praias de Netuno a admirar os cargueiros balouçantes sobre as ondas inquietas. Como ríamos, ao ver as velas enfunar-se, grávidas ao parecer, sob os lascivos beijos dos ventos buliçosos! Imitando-as, a andar com irresistível gaiatice - grávida, então, do meu donoso pajem - por terra a velejar se punha, em busca de ninharias mil para ofertar-me, voltando após, como de viagem longa, de sua gentil carga mui vaidosa. Mas, porque era mortal, morreu no parto deste menino que, por amor dela, recolhi para criar. Por isso, agora, pela mesma razão dele não largo.

OBERON - Neste bosque morar é vosso intento?

TITÂNIA - Até o dia, talvez, do casamento de Hipólita e Teseu. Se com tratável disposição quiserdes tomar parte de nossa alegre ronda e ver os ludos à clara luz da lua, sois bem-vindo. Se não poupai-me, que eu terei cuidado de evitar vossos sítios preferidos.

OBERON - Dá-me o menino e eu seguirei contigo.

TITÂNIA - Nem por todo o teu reino. Vamos, duendes! A ser da paz amigo nunca aprendes."


William Shakespeare
excerto de Sonho de uma noite de verão


Este e outros textos estão disponíveis num lugar muito especial criado pelo Ministério da Educação brasileiro, domínio público, mas condenado a desaparecer devido ao baixo número de visitantes.
Um sítio para descobrir.

27 de março de 2007

fingimento















(...)
Vem um homem que morreu enforcado, e, chegando ao batel dos mal-aventurados, disse o Arrais, tanto que chegou:

Diabo: Venhais embora, enforcado!
Que diz lá Garcia Moniz?
Enforcado: Eu te direi que ele diz:
que fui bem-aventurado
em morrer dependurado
como o tordo na buiz
e diz que os feitos que eu fiz
me fazem canonizado

Diabo: Entra cá, governarás
atá as portas do Inferno
Enforcado: Nom é essa a nau que eu governo
Diabo: Mando-te eu que aqui irás.
Enforcado: Oh! nom praza Barrabás!
Se Garcia Moniz diz
que os que morrem como eu fiz
são livres de Satanás...

E disse-me que a Deus prouvera
que fora ele o enforcado;
e que fosse Deus louvado
que em bo'hora eu cá nascera;
e que o Senhor m'escolhera
e por bem vi beleguins;
e com isto mil latins
mui lindos, feitos de cera.

E no passo derradeiro,
me disse nos meus ouvidos
que o lugar dos escolhidos
era a forca e o Limoeiro;
nem guardião do moesteiro
nom tinha tão santa gente
como Afonso Valente
que agora é carcereiro.
(...)

Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente, 1517